12 de julho de 2011

oh! rio era fonte

Pintei o escaravelho de vermelho...
e desbotou.

Então pintei os muros da madrugada...
e a Lua encheu.

E que seja assim!
E pra sempre será!

28 de junho de 2011

c´est fini

s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex s ex

8 de março de 2011

E a alma é ser-se...

Meditei hoje, num intervalo de sentir, na forma de prosa de que uso. Em verdade, como escrevo? Tive, como muitos têm tido, a vontade pervertida de querer ter um sistema e uma norma. É certo que escrevi antes da norma e do sistema; nisso, porém, não sou diferente dos outros.
Analisando-me à tarde, descubro que o meu sistema de estilo assenta em dois princípios, e imediatamente, e à boa maneira dos bons clássicos, erijo esses dois princípios em fundamentos gerais de todo estilo: dizer o que se sente exactamente como se sente – claramente, se é claro; obscuramente, se é obscuro; confusamente, se é confuso; compreender que a gramática é um instrumento, e não uma lei.

Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela, «Aquela rapariga parece um rapaz». Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela, «Aquela rapariga é um rapaz». Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas mais animado do afecto pela concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, «Aquele rapaz». Eu direi, «Aquela rapaz», violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de género, como de número, entre a voz substantiva e a adjectiva. E terei dito bem; terei falado em absoluto, fotograficamente, fora da chateza, da norma, e da quotidianidade. Não terei falado: terei dito.


A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém o homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver às escuras. Se quiser dizer que existo, direi «Sou». Se quiser dizer que existo como alma separada, direi «Sou eu». Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei-de empregar o verbo «ser» senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente supremo, direi, «Sou-me». Terei dito uma filosofia em duas palavras pequenas. Que preferível não é isto a não dizer nada em quarenta frases? Que mais se pode exigir da filosofia e da dicção?


Obedeça à gramática quem não sabe pensar o que sente. Sirva-se dela quem sabe mandar nas suas expressões. Conta-se de Sigismundo, Rei de Roma, que, tendo, num discurso público, cometido um erro de gramática, respondeu a quem dele lhe falou, «Sou Rei de Roma, e acima da gramática». E a história narra que ficou sendo conhecido nela como Sigismundo «super-grammaticam». Maravilhoso símbolo! Cada homem que sabe dizer o que diz é, em seu modo, Rei de Roma. O título não é mau, e a alma é ser-se.

(Bernardo Soares, do Livro do Desassossego)

13 de outubro de 2010

Viajar, verter, sentir: existir-se...


Périplo esgotante, de duas horas – talvez um pouco mais – de caminhada na madrugada de domingo. O cinema, falhou; os amigos, antes e depois, marcaram ausência; só lhe restava então andar. Do Diammond Mall até a Raul Soares. Encontrou um velho conhecido, no segundo acaso do mês, e tomaram uma cerveja no entre-prosas do back. Subiu da Bias Fortes até a Savassi. Desânimo nonada. Resolveu então subir mais. Getúlio Vargas, Contorno, Afonso Pena. Isso mesmo, sem desvio. Praça da Bandeira. Pra baixo, literalmente, até a Rodoviária. Dez quilômetros, disse o oráculo.

Na caminhada se deu conta de que realmente era ressentido, perfeccionista, exagerado e inseguro. Tinha dificuldades em se impor limites – ou seria tentação em testá-los? Nas relações sociais, nunca sabia a medida exata das coisas. Não era bom em proporções, apesar do gosto pela simetria. O certo, o normal, o razoável, o equilíbrio, a média, o medíocre – buscava sempre fugir deles, mesmo quando se tornavam necessários e até elogiáveis. Era um homem do tudo ou nada, nas duas mãos. Se lhe ocorria abrir uma ponte para alguém, e atravessavam, tratava-os como gostaria que fosse tratado. Não só no conteúdo (esse era o de menos: pensar em equivalência não passava de uma abstração, uma ilusão), mas também na forma. Reciprocidade sim, isso era forma. Tudo dependia da entonação da frase, das palavras escolhidas. O modo com que se pede, com que se dá. Logo, chegou à conclusão de que haviam duas escolhas: ou tornava-se uma bolinha de ping-pong desse jogo da hipocrisia social – a maneira dos modos à mesa – ou voltava para o seu mundinho particular, sua caverna, em que os outros são apenas detalhes, sombras, figurantes, figurinhas.

_ “Cês dançam rock?” – Eles perguntaram.

_ “Não.” – Pausa. “A gente dança mosh.” – Alguém respondeu, num tom sarcástico.

_ Vamo dançá então aí depois então... eh he...

E o sorriso velhaco esboçou o que estava por vir. Ah... o porvir!

Não conseguia acertar contas com seu passado. O presente era povoado de fantasmas dos caminhos não tomados. As assombrações o espantavam com o sussurro de que o des-caminho – que só existiu em potência – não caminhado era melhor. Melhor, melhor, melhor! Por que temos tanto que hierarquizar? Ou “melhor” não seria tão vertical assim? Ou é preciso que haja alguns "mellhores"? Perguntas que não espantavam fantasmas, ele reclamou, acendendo outro cigarro. Seu espírito de perfeição desassossegava-se, inquietava-se, vivia perturbado por não ter feito a escolha, senão perfeita, a melhor no momento. E o que diabos é melhor, meu Deus? Melhor pra quê, pra quem? Não é possível que podia ser tantos! Quanto mais pensava, mais caminhava obstinadamente, como se fosse encontrar a resposta ao final do caminho. Mas havia um fim? Enquanto isso, transbordava, vertia pensamentos em fumaça, suor e angústia sufocantes – válvulas de escape pra não enlouquecer ou sintomas da loucura? O passado repercutia em sua cabeça, feito o demônio. Fatos recentes mostravam que quando deveria ter arriscado ofender, não o fez – o que fez dele um covarde, conformado. De outras vezes, quando era óbvio que não, ele o fez. Logo, em consequência, foi indelicado, desarrazoado e gerou constrangimento. O desatino de sempre abrir uma fissura na realidade lisa ou uma linha reta no caos. O sim e o não – enquanto ou porque ou como –, pólos de uma ação grosseiramente binária, são materializadores de fantasmas.

Perversos.

Palhaço.

Mas amanhã, amanhã sim, será o grande dia! -- Pensou. O dia da efetuação dos planos infinitamente traçados; inconcluíveis. Planos fracassados de antemão.

É preciso abrir brechas, fazer ranhuras, construir pontes e arranhar sofás!

29 de junho de 2010

Is he strong? Listen up: he´s got radioactive blood!

A vizinhança ficará comovida.

Ramones - Spyder-Man

Tirinha copiada do Space Avalanche.

13 de junho de 2010

13 de Junho


Se fôssemos mais idiotas, aceitássemos mais o ridículo e a simplicidade; se deixássemos a pretensão e os idealismos de lado; se não buscássemos a lua como quem busca por comida; se ratificássemos a ignorância de bom grado e o fatalismo da natureza como "bons selvagens"; se, enfim, a nossa obsessão por conhecimento e ilusão do melhor fossem males erradicáveis, poderíamos, quem sabe...

Quem sabe o quê?

A vida é tão mais simples quando não se pensa...