17 de janeiro de 2012

le gauche


curva, s.f.

1 - limiar entre a terra e o céu;
2 - sinuosidade entre a neblina e o sol;
3 - caminho torto que molha o hoje;
4 - o equivalente da sombra.

le droite


reta, s.f.

1 - o aquém do desfiladeiro;
2 - o além do desfiladeiro;
3 - o ninguém do desfiladeiro;
4 - o antes, o depois, o mundo inteiro.

12 de outubro de 2011

questão ontológica





I Coríntios 14:11 Ora, se eu não conheço a força da linguagem, serei como estrangeiro para aquele que fala, e aquele que fala será um estrangeiro para mim.


estrangeiro
extranjero
barbaro
barbare
étranger
barbarian
foreigner
barbarus
βάρβαρος


O termo grego βάρβαρος (bárbaro), que significa o não-grego, ganhou várias traduções nessa passagem bíblica. O estrangeiro, o bárbaro, se tornou aquele que não é, diferente de Deus (e sua descendência), que é aquele que é:


Êxodos 3:14 Deus disse a Moisés: "Eu sou Aquele que sou". E continuou: "Dirás assim aos filhos de Israel: 'Eu Sou enviou-me a vós'".


Nessa passagem do Êxodos aparece o YHWH, o nome impronunciável, "o nome", "Ele". Muitos defendem que Ele seja a constância, enquanto "o outro", "o cujo", "o coiso", o sem nome seja o oposto: o acontecimento, ou mesmo "o encontro". Tem quem defenda o contrário, que YHWH seja na verdade o movimento, o Verbo. Todavia, se não é, é aquele que será. O primeiro tem o nome impronunciável, por impotência nossa. O segundo ("o segundo") não deve ter seu nome pronunciado, mas para evitar riscos, quando do "encontro". Mesmo que seja um encontro pretendido, ao invocá-lo em benefício próprio à meia-noite na encruzilhada. Pois ele, em minúscula (a maiúscula é primazia do Pai) é o phármakon, o ambínguo, o "tinhoso" suplemento que se deve evitar. Ruim ficou para o bárbaro, o estrangeiro, o selvagem, o outro: caíram para o outro pólo, daquele "que não se diz o nome". Esses "nunca serão" nunca!, segundo o Capitão Nascimento.

E foi aí que a putaria começou a rolar no mundo.
No mundo.


YHWH é Javé, é Jeová, é Jah (hallelu Yah).
Na cabala é 26.
No jogo do bicho é Carneiro.


Ding ding ding ding ding ding di...

28 de setembro de 2011

sensação


Roxo, rosa, amêndoa, caqui
Olhos nos olhos na boca
no rosa, na moça, ali
Confusão no meio da rua:
vermelho piscando agora, aqui?

Beijo não pode agora
vambora, pra lá!
Meu bem, você tem
aconchego pra dar?
Mas é claro, meu bem
vem, pode vir
Vai sobrar

Água mais água mais água é vinho
Vinho, bordeaux, torradas e gregas
Colunas garrafas chilenas de um fosco
Laranja

Sabor forte e doce
De uma noite imperfeita
Vermelho anoitece
Verde amanhece
Limão

Belo é o contraste
Beleza é convulsão
ou não

19 de setembro de 2011

vaca profana


VACA PROFANA

Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

Segue a "movida Madrileña"
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horiz...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los "puretas"

Quero que pinte um amor Bethânia
Stevie Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s blues
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas

Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas estamos a...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us...
Ê, ê, ê, ê, ê,
Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas...

(composição: Caetano Veloso)

[essa versão da Gal é muito mais saborosa, entusiasta e sagrada do que a do Caetano. a Gal encarna uma verdadeira musa pagã aqui]

17 de setembro de 2011

saravá!


BERIMBAU

Quem é homem de bem
Não trai!
O amor que lhe quer
Seu bem!
Quem diz muito que vai
Não vai!
Assim como não vai
Não vem!...

Quem de dentro de si
Não sai!
Vai morrer sem amar
Ninguém!
O dinheiro de quem
Não dá
É o trabalho de quem
Não tem!
Capoeira que é bom
Não cai!
E se um dia ele cai
Cai bem!...

Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará...

Se não tivesse o amor (2x)
Se não tivesse essa dor (2x)
E se não tivesse o sofrer (2x)
E se não tivesse o chorar (2x)
Melhor era tudo se acabar (2x)

Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais, mais do que eu

Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará...

Hê! Hê! Camará!
Hê! Hê! Camará!
Hê! Hê! Camará!
Hê! Hê! Camará!

(composição: Toquinho)

CANTO DE OSSANHA

O homem que diz "dou"
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou!
O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor!
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha
Não vá!
Que muito vai se arrepender
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...(2x)

(composição: Vinícius de Moraes)