11 de dezembro de 2013

chuva

se o riso
ouvido fosse
se o lábio
só riso
trouxe
se contigo
comigo
nós
sem pecado
sem algoz
somente
um rio
rumo
à
f
o
z

27 de maio de 2013

bem cá

eu todo sério
eis que retorno
ao presente mistério

mistério que ontem
larguei no horizonte
voltei-me pra choça
arrisquei-me na roça

mas ainda estou vivo
e quem sabe até
um pouco
altivo

17 de dezembro de 2012

o rato é o hiato do gato

o rato tem atração pelo incerto
(disse o horóscopo chinês)

9 de dezembro de 2012

santé!


E onde está a sanidade dessa vida santa? Onde está a santidade dessa vida insana? Onde está a terra santa desse povo ébrio -- embriagado no opróbrio diário, na própria lama! -- que insone se cansa? Não aprenderam que a vida é uma dança, uma corda fina, de bailarina? o fio de ariadne que guiou teseu, que todavia a perdeu para dionísio satírico, o touro a bailar.

A vida é o touro pelos chifres

(des chiffres d´or...)
em sacrifício

Santé!
(porque todos os dedos apontam para o céu)

22 de novembro de 2012

Arre!

a rede
enreda
em renda

13 de novembro de 2012

l´événement


Hoje aconteceu muita coisa. Errei o ponto de ônibus, fui buscar a carteira de trabalho, vi um preso chegando ao hospital e casais no parque municipal, vi meu ex-chefe com a mão quebrada e caminhos que há tempos não fazia. Acho que é porque eu sai de casa. Quando a gente sai, coisas acontecem. Encontrá-la, por exemplo. Aconteceu. Inesperadamente, como é de aconteceres. Tive vontade de perguntar a ela o que aconteceu. Ao mesmo tempo, temi que a resposta seria "não aconteceu nada" (porque o nada também acontece). Então segui, me perguntando se tudo começou naquela flor, que também aconteceu, que não pedia nada e queria somente acontecer. E pensei: "talvez... essas coisas acontecem."